O Monte de Amon Sûl

Escrito por Gwen. Publicado em Locais & Construções

Depois do afundamento de Númenor, Elendil e os seus filhos fundam os reinos numenoreanos do exílio, Arnor e Gondor. Elendil era o rei supremo e ficou a reinar em Arnor, no Norte, e a sua cidade principal era Annúminas, junto ao lago Nenuial. Entre alguns tesouros que conseguiram salvar da destruição de Númenor, encontrava-se a semente da Árvore Branca de Númenor, Nimloth, que Isildur plantou diante da sua casa, em Minas Ithil, e as sete pedras de ver, dávida dos Eldar aos Senhores de Andúnië; estas foram repartidas: quatro ficaram com Isildur e Anárion, em Gondor, e três com Elendil, em Arnor. Gil-galad, rei supremo dos Noldor, acolheu os numenoreanos com amizade e ajudou-os. Construiu as torres de Emyn Beraid para o seu amigo Elendil e uma das pedras foi colocada na mais alta das torres, Elostirion; outra ficou em Annúminas e a terceira em Amon Sûl, um monte redondo no extremo meridional dos Montes do Tempo, em Eriador. Foi construída uma grande torre de vígia, alta e bela, para ter o palantír. Foi aí que Elendil aguardou a vinda de Gil-galad, no tempo da Última Aliança, e daí partiu com ele. Mas depois da morte de Elendil, de Isildur e dos seus três filhos mais velhos, o governo de Arnor passou para o filho mais novo de Isildur, Valandil. Mas depois da morte do 8º rei de Arnor, Eärendur, em 861 da 3ª Era, houve divergências entre os seus filhos e o reino divididu-se em três: Arthedain, Rhudaur e Cardolan. Amlaith, o filho mais velho de Eärendur e o seu natural sucessor, ficou a governar em Arthedain, que abrangia a terra entre o Brandevinho e o Meia-Lua, assim como a terra ao norte da Estrada Grande até aos Montes do Tempo; e os três Palantír ficaram na sua posse, uma vez que se encontravam dentro das suas fronteiras. Mas tanto Rhudaur como Cardolan ambicionavam possuir Amon Sûl, o Cume do Tempo, que se erguia perto das fronteiras dos seus reinos e cuja pedra era considerada a principal das palantír do Norte, pois era a maior e a mais poderosa e aquela através da qual era principalmente conduzida a comunicação com Gondor. Esse tornou-se o principal ponto de discórdia entre esses reinos e as divergências e lutas constantes entre si não tardaram a enfraquecer os Dúnedain do Norte. E no reino de Angmar, a Norte, começam a reunir-se muitas criaturas perversas, que ficaram sob o jugo do Rei Bruxo, que era o Senhor dos Nazgûl. Ele via esperança na desunião dos Dúnedain, pois assim mais facilmente podia acabar com eles, o que seria uma grande vitória para Sauron. Assim, no reinado de Malvegil de Arthedain, o poder em Rhudaur foi conquistado por um senhor dos montanheses, que tinha feito um acordo secreto com Angmar. Argeleb, filho de Malvegil, voltou a reclamar a soberania de todo o Arnor, mas Rhudaur opôs-se à pretensão. Argeleb fortificou os Montes do Tempo, receando o pior, mas foi morto em combate com Rhudaur e Angmar. Sucedeu-lhe o seu filho Arveleg. Nesse tempo Arthedain e Cardolan uniram os seus esforços e auxiliados por Lindon conseguiram expulsar os inimigos dos Montes do Tempo e mantiveram uma forte vigilância através das suas fronteiras. Em 1409 partiu de Angmar um grande exército que entrou em Cardolan e cercou o Cume do Tempo. Os Dúnedain foram derrotados e Arveleg foi morto. A Torre de Amon Sûl foi incendiada e arrasada, mas o palantír foi salvo e levado em segredo para Fornost, onde vivia o rei de Arthedain depois de Annuminas ter caído em ruínas. Estavam agora em Fornost, a Fortaleza dos Reis, as Palantír de Annúminas e de Amon Sûl. Rhudaur foi ocupada por homens sujeitos a Angmar e Cardolan foi destruído. Araphor, filho de Arveleg, repeliu o inimigo de Fornost e das Colinas do Norte com a ajuda de Círdan, e alguns dos Dúnedain de Cardolan também resistiram em Tyrn Gorthad (as Colinas das Antas, até serem atacados pelos homens de Carn Dum, uma fortaleza de Angmar). Mas depois da grande peste o poder de Angmar renasceu e o Rei Bruxo atacou Arthedain e Fornost. O rei Arvedui resistiu o mais que pôde mas teve que acabar por fugir e morreu quando o barco onde seguia naufragou, devido a uma terrível tempestade vinda do norte. Assim se perderam os palantír de Annúminas e Amon Sûl, que ficaram sepultados no mar. No Norte só restava a pedra de Emyn Beraid, que ficou ao cuidado de Círdan. A partir daí o reino de Arnor terminou... apesar da linhagem de Elendil se manter ininterrupta através dos Capitães dos Dúnedain, até Aragorn II voltar a ser rei de Gondor e Arnor. A Torre de Amon Sûl nunca foi restaurada, e no tempo da Guerra do Anel era apenas um excelente ponto de vígia, onde se encontrava restos de antigas construções de pedra, a desmonerar-se, enegrecidas pelo fogo e cobertas de erva. Gandalf, depois de ter fugido de Orthanc e de ter conhecimento, em Bree, que os Hobbits tinham seguido viagem com Passo de Gigante, dirigiu-se para Amon Sûl, na esperança de aí os conseguir localizar... no entanto, os Cavaleiros Negros também lá se encontravam, com o mesmo fim. Não se atreveram a enfrentá-lo, enquanto a luz do Sol durou, mas fecharam o cerco à sua volta e atacaram-no à noite, no velho círculo de Amon Sûl. Com grande dificuldade, Gandalf consegue mantê-los afastados, com luz e fogo, que Aragorn e os Hobbits vêm ao longe, a saltarem do cume do monte como se fossem relâmpagos. Ao nascer do Sol, Gandalf consegue fugir e dirige-se para Rivendell, na esperança que alguns o seguissem: era essa a melhor ajuda que podia prestar ao pequeno grupo, nessa altura. Assim aconteceu de facto, e quatro Cavaleiros Negros perseguem-no durante algum tempo, ficando apenas cinco a vigiar os montes. Dessa forma, apenas cinco dos cavaleiros atacam o acampamento dos Hobbits, no sopé de Amon Sûl. Aragorn e Frodo, que tinham subido ao Monte durante o dia, de forma a poderem ver melhor que perigos os rodeavam e qual seria o melhor caminho a tomar, apercebem-se da presença dos Nazgûl e acham perigoso seguir viagem, durante a noite. Tentando passar despercebidos, fazem um pequeno acampamento numa concavidade abrigada, mas os espectros sentem o Anel e aproximam-se, e Frodo sente as suas vontades autoritárias ordenarem-lhe que ponha o Anel. Aragorn tinha-se afastado para ver se descobria os movimentos dos seus inimigos, e os restantes Hobbits apenas vêm uns vultos sombrios... e Frodo não consegue resistir. Ao colocar o Anel, vê os vultos terrivelmente nítidos, que avançam num ímpeto para ele; e o Senhor dos Nazgûl atinge-o com uma faca comprida, no ombro esquerdo. Frodo ataca o seu inimigo e grita por Elbereth, enquanto com um derradeiro esforço, tira o anel. Vê Passo de Gigante surgir da escuridão com um pedaço de lenha incandescente e depois desmaia. Depois desse episódio, os espectros afastam-se, pois pensam que Frodo está mortalmente ferido. Mas Aragorn teme que voltem outra noite, se não conseguirem fugir. Ao observar a faca que atingiu Frodo, vê que a lâmina se evapora à luz matinal e que tem gravado no cabo, terríveis encantamentos: é uma faca morgul, que transforma aqueles que atinge em espectros dominados pelo Senhor das Trevas. Trata então da ferida de Frodo com Athelas e com um canto; mas sabe que precisa dos cuidados urgentes de Elrond, mestre de tradição e perito na arte de curar. Decidem então deixar o Cume do Tempo e chegar a Rivendell o mais depressa possível. Pelo caminho encontram Glorfindel e com a sua ajuda e a de Asfaloth, o seu cavalo branco, Frodo consegue chegar a Rivendell, depois de uma grande perseguição dos Nazgûl. Mas Elrond, com a ajuda de Gandalf, provoca a enxurrada no Bruinen, pois o rio do vale de Rivendell estava sob o seu poder, e assim ainda consegue curar Frodo, depois de retirar uma pequena lasca da lamina morgul que ainda estava dentro da ferida. No regresso a casa, depois de o anel ter sido destruído e Sauron vencido, Frodo, Sam, Merry, Pippin e Gandalf passam de novo pelos Montes do Tempo, e um pouco afastado dos outros lá estava Amon Sûl, o mais alto da série. Estava a anoitecer e a sua sombra projectava-se na Estrada Velha, por onde seguiam. Frodo pediu aos seus companheiros que se apressassem, e sem olhar para o monte, cavalgou por cima da sua sombra de cabeça baixa e bem embrulhado na capa. A ferida que ali recebera era muito profunda, e para Frodo o Monte de Amon Sûl continuava cheio de más recordações.

Este artigo foi escrito por Gwen